segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Transcendental

Lenin ainda caminha sobre Moscou,

e toda luz vermelha lembra meu amor.


Eu sempre estou por um triz,

e o amor de Maiakovski ainda pulsa em corações juvenis.


Pachukanis teoriza novas ordens

e suas possíveis ausências,

impertinências rumo a algo de sublime.


Para ser feliz não precisa de muito,

dizem os que muito têm.

eu só queria estar com meu bem,

e isso não é muito exigir

pra ser feliz também.


Meu coração é como um bicho —

um poema de Adélia.

Com uma faca cravada, olha:

todo mundo é uma quimera,

em gênero e espécie.


E eu, num Brasil

nascido em noventa e oito,

sei saber de nada,

e, sendo muito afoito,

quero amar e tenho sede de viver.


E o que há

é a poesia

do que resta

de transcendental,

afinal.


Lenin ainda caminha sobre Moscou...

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