Lenin ainda caminha sobre Moscou,
e toda luz vermelha lembra meu amor.
Eu sempre estou por um triz,
e o amor de Maiakovski ainda pulsa em corações juvenis.
Pachukanis teoriza novas ordens
e suas possíveis ausências,
impertinências rumo a algo de sublime.
Para ser feliz não precisa de muito,
dizem os que muito têm.
eu só queria estar com meu bem,
e isso não é muito exigir
pra ser feliz também.
Meu coração é como um bicho —
um poema de Adélia.
Com uma faca cravada, olha:
todo mundo é uma quimera,
em gênero e espécie.
E eu, num Brasil
nascido em noventa e oito,
sei saber de nada,
e, sendo muito afoito,
quero amar e tenho sede de viver.
E o que há
é a poesia
do que resta
de transcendental,
afinal.
Lenin ainda caminha sobre Moscou...
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