terça-feira, 30 de setembro de 2025

Perdoai

Sou poeta menor, perdoai, senhores,

que a lira fraca em mim mal se levanta;

não sei cantar dos altos trovadores

a chama eterna, a glória que os encanta.


Meu canto é breve, errante entre as dores,

um sopro vão que o tempo logo espanta;

mas nele ardem discretos resplendores

de quem, na sombra, em sonho se adianta.


Se erro no método, aceitai-me o intento,

se falho na rima, é pura confissão:

meu verso é fruto apenas de tormento.


E se em mim não há grande perfeição,

ao menos deixo singelo argumento

de um coração que escreve em expiação.

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