Sou poeta menor, perdoai, senhores,
que a lira fraca em mim mal se levanta;
não sei cantar dos altos trovadores
a chama eterna, a glória que os encanta.
Meu canto é breve, errante entre as dores,
um sopro vão que o tempo logo espanta;
mas nele ardem discretos resplendores
de quem, na sombra, em sonho se adianta.
Se erro no método, aceitai-me o intento,
se falho na rima, é pura confissão:
meu verso é fruto apenas de tormento.
E se em mim não há grande perfeição,
ao menos deixo singelo argumento
de um coração que escreve em expiação.
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