No âmago da noite, só caminha
O bebedor, cuja alma se desfaz,
Entre aromas de vinho e de neblina,
Procura o que se encontra jamais.
Seus olhos, poços de melancolia,
Refletem o mundo em dissabor;
Em goles, a dor entorna poesia,
E o tempo dissolve-se em amor.
Há um riso que, no vinho, se desperta,
Um brilho breve, incerto como o céu,
Que sobre a noite solitária se projeta
E sobre o profundo deita-se ao léu.
É por isso que há no vinho a verdade,
Pois a verdade, meu bem, é uma loucura;
Mas, no coração que a ela se destina,
Entrega-se o bebedor à sua sina.
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