terça-feira, 28 de outubro de 2025

O Bebedor de Vinho

No âmago da noite, só caminha

O bebedor, cuja alma se desfaz,

Entre aromas de vinho e de neblina,

Procura o que se encontra jamais.


Seus olhos, poços de melancolia,

Refletem o mundo em dissabor;

Em goles, a dor entorna poesia,

E o tempo dissolve-se em amor.


Há um riso que, no vinho, se desperta,

Um brilho breve, incerto como o céu,

Que sobre a noite solitária se projeta

E sobre o profundo deita-se ao léu.


É por isso que há no vinho a verdade,

Pois a verdade, meu bem, é uma loucura;

Mas, no coração que a ela se destina,

Entrega-se o bebedor à sua sina.

Nenhum comentário:

Postar um comentário