O que eu tenho, eu devo a Deus,
ou seja: nada mais que nada.
Nasci num porém,
de tamanho desejo,
de impossível cultura,
mas sem dinheiro
pra pegar um trem.
Desejo o além,
não tem pra ninguém.
Como pode ser?
Não posso viver
à Deus dará.
E se Deus não der,
como vou ficar?
Como vou levar
meu bem, meu lar,
pra Copacabana?
Ou quem sabe ainda,
lá em Itapetininga,
Curitiba, Brasília,
Itamaracá, Maringá...
sei lá, sei lá.
Ela quer morar
em Copacabana.
Como sustentar
vontade tamanha,
se Deus não dá
as artimanhas
do capital?
pois é.
Que mal, que mal...
me quer.
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