segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Malmequer

O que eu tenho, eu devo a Deus,

ou seja: nada mais que nada.


Nasci num porém,

de tamanho desejo,

de impossível cultura,

mas sem dinheiro

pra pegar um trem.


Desejo o além,

não tem pra ninguém.

Como pode ser?

Não posso viver

à Deus dará.


E se Deus não der,

como vou ficar?

Como vou levar

meu bem, meu lar,

pra Copacabana?


Ou quem sabe ainda,

lá em Itapetininga,

Curitiba, Brasília,

Itamaracá, Maringá...

sei lá, sei lá.


Ela quer morar

em Copacabana.

Como sustentar

vontade tamanha,

se Deus não dá

as artimanhas

do capital?

pois é.


Que mal, que mal...

me quer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário