segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Voa, voa, Margarida

Na noite, o luar se inclina,

e o diabo passeia entre as sombras.

O amor, porém — chama divina,

nasce em atos sem altos juízos,

e acende segredos nas almas sombrias.


Voa, voa, Margarida,

sobre os telhados da cidade,

descalça, nua e atrevida,

com a chama da eternidade.


O gato já não mia…

silêncio desce pelas ruas,

a sombra se alonga e cria

mistérios que a noite insinua.


Voa, voa, Margarida,

valha-me Nossa Senhora!

Foi por amor à vida

que eu dela não fui embora.


O Mestre opera em silêncio,

seu livro arde, mas não se apaga;

e o destino, nesse sortilégio,

tece o fio que nunca rasga.


Voa, voa, Margarida,

acharemos a saída;

para esse dissabor,

ergue-se a luz prometida,

nos altares do amor.

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