Na noite, o luar se inclina,
e o diabo passeia entre as sombras.
O amor, porém — chama divina,
nasce em atos sem altos juízos,
e acende segredos nas almas sombrias.
Voa, voa, Margarida,
sobre os telhados da cidade,
descalça, nua e atrevida,
com a chama da eternidade.
O gato já não mia…
silêncio desce pelas ruas,
a sombra se alonga e cria
mistérios que a noite insinua.
Voa, voa, Margarida,
valha-me Nossa Senhora!
Foi por amor à vida
que eu dela não fui embora.
O Mestre opera em silêncio,
seu livro arde, mas não se apaga;
e o destino, nesse sortilégio,
tece o fio que nunca rasga.
Voa, voa, Margarida,
acharemos a saída;
para esse dissabor,
ergue-se a luz prometida,
nos altares do amor.
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