segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Lua Mansa

Lua mansa

que me acolhe

em teu ventre,

nua, danças.


Ora noite,

ora dia,

quero a luz

que iluminas.


Sou quem sou,

menino das águas,

que em ondas

se dissipa.


E nelas mesmas

me carrego,

errante navegante

que caminha.


Passarinho

num céu sem fim,

buraco negro

a se fazer em mim.


Branda onça, roça,

e depois a cace,

entornando a lança

do lenho de acácia.


Do jarro de bronze

as criaturas jorrem,

e, como num milagre,

o vinho sorve.


Lua mansa, olha,

e um conhaque, bebe,

como se a mata adentre,

e com mulher, se deite.


Se deleite,

derrame o leite.

Lua mansa,

nua dança.

Puro êxtase. 

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