Lua mansa
que me acolhe
em teu ventre,
nua, danças.
Ora noite,
ora dia,
quero a luz
que iluminas.
Sou quem sou,
menino das águas,
que em ondas
se dissipa.
E nelas mesmas
me carrego,
errante navegante
que caminha.
Passarinho
num céu sem fim,
buraco negro
a se fazer em mim.
Branda onça, roça,
e depois a cace,
entornando a lança
do lenho de acácia.
Do jarro de bronze
as criaturas jorrem,
e, como num milagre,
o vinho sorve.
Lua mansa, olha,
e um conhaque, bebe,
como se a mata adentre,
e com mulher, se deite.
Se deleite,
derrame o leite.
Lua mansa,
nua dança.
Puro êxtase.
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