Cede a mim teu incandescente gesto,
Permite-me saborear teu gosto
E todo o resto, em todo intento —
Aprecio tanto causar teu gozo.
Deliro em ver-te verter, fera enluarada,
Na chama brava dos teus desvarios;
Na carne, a selva ruge enamorada,
E o rio estoura em fúria entre o navio.
Na intimidade animal dos teus rugidos,
De quem obedece ímpetos selvagens,
À margem do que possa ser imaginado,
Quero ser matéria encarnada do teu íntimo.
Em toda fantasia, toda ânsia,
Em todo o sublime sublimado,
Eis o que desejo, eis meu fado:
Ser teu mais perfeito namorado.
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