segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Minha Lei

Foste criança, sonho e sonhador,

Depois homem, e ansiou a mulher.


Era ódio e depois gentileza,

Pois viu os sonhos ruírem a todos.


Aprendeu os doze trabalhos de Hércules

Com o pai, a quem deve graças.


Dormiu nas avenidas caudalosas,

Ao lado e ao cheiro dos miseráveis.


Ouviu com atenção as putas e travestis,

Os malandros das noites e seus artífices.


Titulou-se em várias universidades,

Em suas grandes frivolidades.


Dos arranha-céus erguidos de costas ao mundo

E às custas dele.


Vestiu-se com ternos e máscaras,

Querendo andar nú.


Bebeu a bebida alcóolica,

Proibida nas ruas de Budapeste.


Entre whiskys e dry martines nas matinês,

Optou pelo suco das entranhas femininas.


Sorveu o suor do Sertão agreste,

Dos cavalos, para salgar a carne.


Foste herege de tudo,

Vilão e herói de si mesmo.


Por saber que nada existe,

Se desencantou.


Por saber que nada existe,

Fizeste tua lei.


Desejou engendrar no mundo a beleza

Que dele roubaram em função do lucro.


Quis desistir no desencanto do mundo,

Mas ergueu-se, e riu, demasiadamente


Se aliou ao Diabo, que tudo nega,

Pois nada se pode aceitar.


Roubou do caos a centelha de si mesmo,

E fez da sombra um altar silencioso.


Brindou com a lua e com o vento,

Sussurrou segredos às paredes da cidade.


No espelho, viu todas as faces do mundo,

E em cada rosto, o reflexo de sua lei.


Aprendeu que o vazio é fértil,

E que o desencanto é a argila dos que criam.


E perante os deuses do lucro e da moeda,

Riu-se, recusando-se a curvar-se.


Pois nada do que compram, vendem ou exploram

Pode domar o fogo que habita a alma.


Então ergueu-se, livre do peso das cifras,

E lançou sobre o mundo sua própria beleza —


Indomável, incorruptível, eterna,

Feita para incendiar de vida a terra arrasada.


Feita para devolver a alma a essas pobres máquinas,

Feita para dignificar a espécie em seu cerne.


E assim, fazer da vida algo de vivo,

Para que os deuses se redimam.


E, diante de nós, enfim se apresentem,

Pois detendo nós, então, os próprios destinos.

Um comentário:

  1. You're acting like you're Zarathustra or Nietzsche by turning turmoil and anguish into poetry but in the end you're of the same material as the commoners of this time. And if there's a mask, it is just one that hides a sad little horny thing. Smerdyakov being a villain wasn't surprising, even though he was wearing a mask. He couldn't even come up with the decision of being evil, he had to wait on Ivan's; you're similar to that. I don't need to pretend, like you, so I'll use a lowbrow analogy: you're like Buzz Lightyear from Toy Story who believes he is an astronaut soldier, and then Woody yells at him, and Buzz shrugs his advice and set forward to the infinity and then he falls and loses his arm. You're losing your arm everyday, before sleep, is what it seems to me.

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