Brotou, selvagem, uma flor no meu coração.
Insaciável, ousada, ela verte vertigens
de um descontentamento, busca e solidão.
Quer nascer, ferina, em montes e planícies.
Desejos de contradição, de viver o infinito,
correr riscos, lançar-se no desconhecido,
percorrer corpos, descobrir segredos,
fazer verter a flor daninha em seus mistérios.
Quero ver completa essa flor em mim,
colhê-la e erguê-la ao mundo que a proíbe,
escancarar a violência com que coíbem,
seu nascimento lindo em seu jardim.
Para que vejam todos, aturdidos,
a rosa do povo, o vermelho porém,
a encantar o mundo, desejante do além,
semente que há em todos, no mais íntimo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário