terça-feira, 9 de setembro de 2025

Cala-te, Sião

Cala-te, Sião, teu deus te exaspera,

com sangue de crianças faz fronteira;

tua lei não é lei, mas tragédia e farsa,

teu verbo não é paz, mas morte e erro.


Ergues muralhas sobre o pó sagrado,

escreves salmos no pranto hediondo,

e o templo que eriges não tem altar,

só cinzas, ruínas, gritos horrendos.


Se a terra é prometida, foi traída,

pois jaz sob o peso de vidas perdidas;

não há Messias que venha explicar

o preço da vida que ousas cobrar.


E a voz do Jordão, entre a tragédia e a farsa,

ecoará pelos séculos da partida:

quem semeia o ódio colhe desertos,

quem mata inocentes cava seus ermos.


Teu deus não é divino, não há segredo;

tua lei não tem honra, mas corrupta.

Com sangue de crianças faz tua guerra;

Olha-te, Sião, tua face envergonha.


Sepulcro caiado, caído sobre o muro das lamentações;

Babilônia de bronze,  das nações.

Lobo em pele de cordeiro, saqueador do santuário,

profanas o sangue justo com mãos de usura.


Tu que te dizes eleito, mas és Moloque insaciável,

ergues altares de fogo ao pranto das crianças.

Vergonha de Akenáton, falso profeta,

que troca o sol por trevas e idolatria.


Mira-te, Sião, teu deus te exaspera;

tua face envergonha tua diáspora e razão.

Jerusalém corrompida, filha de Jezabel,

tua coroa é cinza, tua glória, abominação.


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