terça-feira, 22 de julho de 2025

A Hora e a Vez do Jogador

O destino jogou com mão fechada,

bateu na mesa os trunfos do sofrer.

Fiquei calado, à beira do perder,

com alma rente à borda da encruzilhada.


Mas tudo tem seu tempo e sua estrada —

até o chão aprende a responder.

Agora é minha vez de amanhecer

no passo rude da alma levantada.


Não peço luz, nem sombra de milagre,

só lanço o lance certo, sem temor,

com fé na dor que forja o andar agreste.

Atravessa-se o tabuleiro num só galope.


Pois quem já viu de perto o próprio ardor

não teme mais o jogo, nem má sorte:

chegou, por fim, a vez do jogador.

Sou eu que faço nascer o sol ao norte.


Um comentário:

  1. O jogador descobre-se: peão. Numa encruzilhada entre duas torres e um bispo.
    O jogador conhece estrategistas, com pretensões artísticas. O jogador hesita, e evita com um blefe. Em vão. O ardor faz parte do arsenal de seu inesperado algoz.
    A ausência de temor é irrelevante; sabemos que o seu medo não depende de condição: condiciona.

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