Como um certo guardador de rebanhos
Assombrado pelos próprios pensamentos
Reparo todas as coisas e sou por elas vigiado:
O musgo que cresce na pedra me contempla,
E o orvalho, que escorre das folhas, me julga.
O campo parece dormir, mas sonha comigo.
Cada galho quebrado sob meus passos
É um juízo secreto, um presságio mudo.
Nem mesmo o silêncio é neutro:
Ele pesa, observa, pondera, espera que eu fale.
Se olho a nuvem, ela se curva em mistério.
Se toco a água, ela estremece,
Como se temesse que minha dúvida a turvasse.
Sou pastor de ideias dispersas,
Que pastam soltas na planície do tempo.
Há em mim um cansaço de eternidade,
Um sopro antigo que sopra contra o mundo.
E ainda assim caminho —
Não porque saiba, mas porque ignoro,
E porque ignorar é uma forma de sentir.
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