segunda-feira, 9 de junho de 2025

Vigília

Como um certo guardador de rebanhos

Assombrado pelos próprios pensamentos

Reparo todas as coisas e sou por elas vigiado:

O musgo que cresce na pedra me contempla,

E o orvalho, que escorre das folhas, me julga.


O campo parece dormir, mas sonha comigo.

Cada galho quebrado sob meus passos

É um juízo secreto, um presságio mudo.

Nem mesmo o silêncio é neutro:

Ele pesa, observa, pondera, espera que eu fale.


Se olho a nuvem, ela se curva em mistério.

Se toco a água, ela estremece,

Como se temesse que minha dúvida a turvasse.

Sou pastor de ideias dispersas,

Que pastam soltas na planície do tempo.


Há em mim um cansaço de eternidade,

Um sopro antigo que sopra contra o mundo.

E ainda assim caminho —

Não porque saiba, mas porque ignoro,

E porque ignorar é uma forma de sentir.

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