Há um abismo aberto em cada gesto,
um sopro incerto que antecede o passo dado.
Ser livre é ver o mundo manifesto
sem chão, sem mapa, e sempre encruzilhado.
A escolha pesa como o próprio ser,
pois tudo em mim é causa do que faço.
E ao querer, tremo. Ao decidir, morrer
um pouco — e erguer de novo o velho espaço.
Sou queda e salto, instante que vacila,
sou réu de mim no tempo que oscila.
Ser livre é estar no vértice do nada,
com mil futuros presos na garganta,
e a angústia — essa lâmina que se afia —
me castra enquanto escolho minha vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário