quarta-feira, 4 de junho de 2025

Vertigens

Há um abismo aberto em cada gesto,

um sopro incerto que antecede o passo dado.

Ser livre é ver o mundo manifesto

sem chão, sem mapa, e sempre encruzilhado.


A escolha pesa como o próprio ser,

pois tudo em mim é causa do que faço.

E ao querer, tremo. Ao decidir, morrer

um pouco — e erguer de novo o velho espaço.


Sou queda e salto, instante que vacila,

sou réu de mim no tempo que oscila.

Ser livre é estar no vértice do nada,


com mil futuros presos na garganta,

e a angústia — essa lâmina que se afia —

me castra enquanto escolho minha vida.

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