Vagueiam sombras pelas madrugadas,
são vozes que não sei se são ou foram.
No espelho, vejo faces apagadas
de sonhos que nas veias ainda choram.
Assombros tênues roçam minha pele,
sussurram nomes que jamais chamei.
O tempo, em névoa, passa e me repele,
mas sigo em mim — e sei que já passei.
São vultos do que fui, ou do que evito,
fantasmas do que quero e não permito,
pairando entre o juízo e o delirar.
Espectrais, dançam dentro do que escondo,
sem peso, sem perdão, sem céu, sem fundo —
silêncios que aprendi a carregar.
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