(Ou o contrário)
Habito um movimento entre o salto e o cansaço,
no dorso irregular de um deus em animal.
A cada passo incerto, invento um novo espaço
e deixo que o delírio me leve ao ritual.
O tigre está tomado de um vinho antigo e denso,
seus olhos são relâmpagos, mas sem direção.
A embriaguez é mútua, e o ritmo é suspenso:
nenhum de nós governa — só pulsa a combustão.
Não fujo da vertigem: nela me equilibro.
Aceito o desequilíbrio como forma exata.
No caos brando, descubro o pacto do limbo.
Silêncio: a fera marcha e o tudo se desfaz.
Eu sigo — não mais eu, mas aquilo que jaz.
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