quinta-feira, 26 de junho de 2025

Um Selvagem no Dorso Instável de um Tigre Bêbado

(Ou o contrário)


Habito um movimento entre o salto e o cansaço,

no dorso irregular de um deus em animal.

A cada passo incerto, invento um novo espaço

e deixo que o delírio me leve ao ritual.


O tigre está tomado de um vinho antigo e denso,

seus olhos são relâmpagos, mas sem direção.

A embriaguez é mútua, e o ritmo é suspenso:

nenhum de nós governa — só pulsa a combustão.


Não fujo da vertigem: nela me equilibro.

Aceito o desequilíbrio como forma exata.

No caos brando, descubro o pacto do limbo.


Silêncio: a fera marcha e o tudo se desfaz.

Eu sigo — não mais eu, mas aquilo que jaz.

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