quinta-feira, 26 de junho de 2025

Céu Noturno

Céu negro e infinito

onde vai meu coração.

Morro só num labirinto,

sigo só, sem direção.


Tuas estrelas, tua beleza

vêm tocar as minhas mãos,

e apesar da incerteza

acompanhas minha solidão.


Ó, céu negro, puro abismo,

quer namorar meu coração.

Tenho medo, minha sina:

seguir-te, o rumo,

perder-me

em tua imensidão.


Ó céu sombrio, abismo sem juízo,

quer morar em ti meu coração.

Tenho medo: eis meu triste paraíso,

seguir-te além, perder-me n'amplidão.


Entre pulsares, vaga a minh'ausência,

na dobra escura do espaço tempo.

Meu ser se curva à tua gravidade,

grave, dispenso salvamento.


Sou poeira tua em decadência,

matéria escura em lenta solidão,

minha voz ecoa além da consciência,

no vácuo eterno de tua imensidão.


No redemoinho de um buraco negro,

perco lembranças, nome e direção.

E o que restar de mim — se restar algo  —

será silêncio, luz em extinção.


Constelações me guiam sem saber

que sou fantasma em órbita incerta.

Cada galáxia é um outro esquecer,

e o infinito, uma ausência aberta.


Ó Céu negro e infinito

onde vai meu coração.

Vivo só num labirinto,

sigo só, sem direção.


Ó céu sombrio, abismo sem juízo,

quer morar em ti meu coração.

Tenho medo: eis meu triste paraíso,

seguir-te além, perder-me n'amplidão.

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