Roda o tempo em silêncio — e o eixo sou eu, só.
No peito, um firmamento em lenta rotação.
Um pulso em espiral, sem rumo e sem farol,
move o amor como astro em translação.
Planetas colidem na válvula do peito,
e a dor se acomoda em céus ocasionais.
Meu sangue se derrama em ritmo perfeito,
em marés que obedecem aos céus febris.
O amor é gravidade: empurra e atrai.
Minha alma — um astrolábio — busca o sul.
E a luz que explode em mim jamais se esvai.
Sou corpo celeste e sigo inacabado.
Quando eu enfim me apagar, serei azul
no caos sideral, silêncio iluminado.
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