quinta-feira, 26 de junho de 2025

A Mecânica Celeste do Meu Coração

Roda o tempo em silêncio — e o eixo sou eu, só. 

No peito, um firmamento em lenta rotação. 

Um pulso em espiral, sem rumo e sem farol, 

move o amor como astro em translação. 


Planetas colidem na válvula do peito, 

e a dor se acomoda em céus ocasionais. 

Meu sangue se derrama em ritmo perfeito, 

em marés que obedecem aos céus febris. 


O amor é gravidade: empurra e atrai. 

Minha alma — um astrolábio — busca o sul. 

E a luz que explode em mim jamais se esvai. 


Sou corpo celeste e sigo inacabado. 

Quando eu enfim me apagar, serei azul 

no caos sideral, silêncio iluminado. 

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