Não há verdade que não seja particular
ou particular que não seja verdadeiro.
Mesmo o silêncio, ao se calar inteiro,
guarda um sentido só de quem o olhar.
Cada certeza é vento num lugar,
é cais em mar aberto e passageiro —
nada é tão só que seja por inteiro,
nem tão comum que não possa variar.
A chama arde conforme o pavio,
e o amor não se repete em dois semblantes;
há um mundo no gesto mais vazio,
no erro que nos torna semelhantes.
Verdades nascem num luar tardio
que habita os olhos dos que são errantes.
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