segunda-feira, 2 de junho de 2025

Horizonte

Sinto que nunca vejo nada adiante

e sigo de uma coisa para outra, à toa.

Infinitos pensamentos — mente à proa —

me invadem, dissipando cada instante.


Toda certeza cada vez mais distante,

se esvai como a luz do dia apaga;

a cada passo em torno de uma busca:

dois passos atrás recua o horizonte.


Mas nesse andar sem rumo e sem razão,

às vezes nasce um rastro inesperado:

um gesto, um som, um toque de ilusão.


Quem sempre vê já vai determinado;

quem nada vê descobre na amplidão

que o horizonte é feito no caminho.


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