Sinto que nunca vejo nada adiante
e sigo de uma coisa para outra, à toa.
Infinitos pensamentos — mente à proa —
me invadem, dissipando cada instante.
Toda certeza cada vez mais distante,
se esvai como a luz do dia apaga;
a cada passo em torno de uma busca:
dois passos atrás recua o horizonte.
Mas nesse andar sem rumo e sem razão,
às vezes nasce um rastro inesperado:
um gesto, um som, um toque de ilusão.
Quem sempre vê já vai determinado;
quem nada vê descobre na amplidão
que o horizonte é feito no caminho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário