Não há verdade além do que se sente,
pois cada ser a vê como lhe cabe:
no espelho da razão, a luz se sabe
reflexo que se curva mesmo ausente.
A parte é o todo em forma mais presente,
no íntimo onde a essência nunca acabe;
verdade é o instante em que algo se sabe,
até que o mundo nos revela incoerente.
Não há mentira inteira ou pura crença,
nem há razão que a tudo se compare —
se tudo é sombra em tênue diferença.
A voz que julga é só a de quem pouco sabe
do abismo em que a verdade se dispensa:
em cada olhar, o universo mutiplica-se.
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