Sinto demais — e às vezes sem motivo.
O mundo é uma palavra mal falada
que fere, mesmo dita em tom passivo,
e cala em mim verdades de mais nada.
Há dias em que o céu parece esquivo,
e a brisa é como lágrima velada.
Por dentro, um mar de afetos sempre vivo
me afoga em sua espuma desbotada.
Ser sentimental é ver demais o instante,
guardar no peito aquilo que não cabe,
ler nos silêncios todo o mais pungente.
É ter o coração feito de entrave,
que pulsa quando tudo é irrelevante,
e sangra, mesmo quando o mundo é brando.
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