terça-feira, 3 de junho de 2025

Luar, Luar

Lua, minha amante nua nessa noite eterna

Guardiã dos segredos da carne e da alma,

Que em silêncio embriaga e aos poucos acalma,

Com tua luz de prata tão suave e terna.


Teu corpo paira em mim, paixão serena,

Círculo alheio ao tempo, substância de ausência,

Mistério que se esconde, e aos poucos revela,

Na sombra que em meus versos se governa.


Em teu clarão desnudo me abandono,

Como quem nada pede e tudo sente,

Num sonho onde a paixão desata o sono.

Num sonho qual clarão aclara o mistério.


Teu beijo é frio, e ainda assim ardente,

No céu me tomas — sombra em pleno outono,

Amor que em mim é febre permanente.

Luar que nasce em mim qual sol no mundo. 


Assim, qual sol no mundo abre o dia,

Tomando, abertos, os meus olhos de assalto.

Esse luar, que habita o mais profundo d’alma,

Acende, qual estrela-d’alva, o seu mais íntimo.


A princípio uma faísca — torna-se intenso fogo;

Em pouco tempo, o sentimento faz-se poderoso.

Fulgura o luar no sertão profundo deste peito

E faz luzir a vida na escuridão de seu entorno.


E se então me torno luz no teu ensejo,

Já não distingo todo o céu do próprio peito.

Em tua sagrada órbita sigo, alheio e eleito,

Deste silêncio e sombra sou teu anjo.


Nenhum comentário:

Postar um comentário