Ando distraído sob o mundo,
a ver navios, como a vida acontecer.
Tudo acontece, pouco percebido —
sob o mundo, o vigio a percorrer.
As horas correm num silêncio profundo,
e eu me perco em tentar compreender
se é distração ou modo de viver
essa ausência que me envolve num segundo.
O riso ao lado, a flor, o som, a queda,
tudo me toca, leva e passa como brisa,
como se a alma fosse uma leve pena.
Mas há, no vago olhar que vaga a vastidão,
um dom de percerber o que não ouve e vê:
que é um céu inteiro a se perder no chão.
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