A noite acende os olhos da cidade,
Com luz que arde em púrpura tensão.
Rubro vermelho, em crua claridade,
Lateja como um vício em combustão.
Nas ruas, sons deslizam como preces,
Reflexos dançam lânguidos no chão.
A cor do néon — febre que enlouquece —
É sangue em alta-voltagem de ilusão.
O breu se curva ao brilho intermitente
Que pinta os corpos de um desejo vão.
Na sombra, o mundo gira lentamente,
Pulsa entre o vício e a contemplação.
Mas ao fim da noite, o rubro se desfaz,
Em neblina cinzenta sob o chão.
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