segunda-feira, 16 de junho de 2025

Diadorim

No passo firme, a estrada se desfaz.

Trazia o rosto ardente sob o pó.

Silêncio em carne, espada feita em paz,

Mistério em flor, mas sem pedir alvó.


No teu olhar, tremia um céu calado,

Com nuvens que não podiam chover.

E o meu amor — tão bruto e encantado —

Queria o teu sem mesmo o conhecer.


Lutavas mais que muitos cabras duros,

Com mãos de fera e alma de ave-mãe.

Mas todo o gesto vinha dos obscuros,

De um mundo além donde o sol se põe.


Diadorim, vereda e travessia,

Me deste a dor, o amor, a poesia.

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