No véu do ácido a mente se desata,
E o tempo escorre em cores de ilusão.
O mundo, em fractais, se desbarata,
E o eu se perde em pura expansão.
O verbo dança em luzes invisíveis,
A carne flutua, a alma quer sair.
Silêncios cantam coisas inaudíveis,
E um olho interno aprende a reluzir.
É morte tênue em riso delirante,
É parto cósmico no pensamento,
É deus e abismo num só instante.
Mas vem, depois, o frio do cimento —
Quem viu demais retorna vacilante,
Com a alma em chamas e o corpo ao relento.
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