terça-feira, 3 de junho de 2025

Banzo

Na solidão que o tempo não redime,

Ecoa um canto antigo, sem palavra,

Ferida aberta que jamais se cura,

Saudade em carne viva que lhe fere.


O corpo aqui, mas lá a alma exprime —

Na terra que os tambores ainda lavra,

Nos olhos da saudade que se agrava,

No rosto que a lembrança torna triste.


No escuro da senzala, a noite é funda,

E o sonho, ainda preso além do mar,

Suspira a liberdade que se inunda.


O banzo, em seu silêncio secular,

É dor que canta e chora, e não se encerra,

Feito raiz que insiste em germinar.

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