Na solidão que o tempo não redime,
Ecoa um canto antigo, sem palavra,
Ferida aberta que jamais se cura,
Saudade em carne viva que lhe fere.
O corpo aqui, mas lá a alma exprime —
Na terra que os tambores ainda lavra,
Nos olhos da saudade que se agrava,
No rosto que a lembrança torna triste.
No escuro da senzala, a noite é funda,
E o sonho, ainda preso além do mar,
Suspira a liberdade que se inunda.
O banzo, em seu silêncio secular,
É dor que canta e chora, e não se encerra,
Feito raiz que insiste em germinar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário