quinta-feira, 29 de maio de 2025

Não há espaço ao novo neste chão

Não há espaço ao novo neste chão,

pois tudo serve ao jugo do mercado.

O tempo é mercadoria e negação,

do gesto livre, logo capturado.


Desejo é pauta, imagem, produção,

afetos são por cliques mensurados.

A dor virou padrão de execução,

os sonhos vêm já pré-fabricados.


Viver é repetir a mesma cena,

num looping de promessas sem porvir.

A angústia é nossa farsa mais amena.

Pois falsa a liberdade sem vertigem.


Mas há quem ouça, ao fundo, a voz ferir:

um grito estranho, fora do sistema,

que insiste em não cessar de construir.

Não reduzido a coisa tão pequena.

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