Não há espaço ao novo neste chão,
pois tudo serve ao jugo do mercado.
O tempo é mercadoria e negação,
do gesto livre, logo capturado.
Desejo é pauta, imagem, produção,
afetos são por cliques mensurados.
A dor virou padrão de execução,
os sonhos vêm já pré-fabricados.
Viver é repetir a mesma cena,
num looping de promessas sem porvir.
A angústia é nossa farsa mais amena.
Pois falsa a liberdade sem vertigem.
Mas há quem ouça, ao fundo, a voz ferir:
um grito estranho, fora do sistema,
que insiste em não cessar de construir.
Não reduzido a coisa tão pequena.
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