Se o mundo enfim ruísse, em desatino
Dos céus, o Atlas, cansado de manter a pose,
Que fosse um fim gentil — La Vie en Rose —,
A mesa posta, amigos e um bom vinho.
Que importa o fim? Prefiro o intervalo
Em que um amigo ri, vacile e goze.
A morte é só um gesto que se acolhe
Com mais sabor num riso amargo.
Não houve heróis, nem glória, nem pecado,
Só nós — num apartamento iluminado,
Por luz vermelha, taças, gargalhada.
E quando enfim vier o estrondo exato,
Que nos encontre, o rosto iluminado,
Na mais inútil — e bela — madrugada.
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