sábado, 24 de maio de 2025

Se o mundo enfim ruísse, em desatino

Se o mundo enfim ruísse, em desatino

Dos céus, o Atlas, cansado de manter a pose,

Que fosse um fim gentil — La Vie en Rose —,

A mesa posta, amigos e um bom vinho.


Que importa o fim? Prefiro o intervalo

Em que um amigo ri, vacile e goze.

A morte é só um gesto que se acolhe

Com mais sabor num riso amargo.


Não houve heróis, nem glória, nem pecado,

Só nós — num apartamento iluminado,

Por luz vermelha, taças, gargalhada.


E quando enfim vier o estrondo exato,

Que nos encontre, o rosto iluminado,

Na mais inútil — e bela — madrugada.

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