Não há criatividade na rotina,
mas rédea curta contra o desejo;
para deformar a alma em vão cortejo
de horas mortas, sob luz mesquinha.
A mente dobra ao peso que a domina,
e o corpo aprende a repetir o gesto;
quem sonha é visto como um erro,
de estrada certa, inútil, vespertina.
O mundo exige lucros e silêncio,
não há lugar pra pensar ou divagar —
só metas, prazos, ordens em cadência.
Mas dentro em mim, num canto mais propenso,
a chama insiste, arde sem se apagar:
quer ser poema, sonho, desobediência.
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