Tudo tende ao calor. É movimento
de átomos sem rumo, em turbilhão.
A vida dança ao léu, sem fundamento,
no caos febril da desagregação.
É a segunda lei: nada resiste.
Toda forma desfeita, o fim declara.
Na alma, um fogo estranho ainda persiste
— entropia que o tempo não encara.
O coração, motor de intensidade,
é vasto, é vácuo, é força que consome.
A chama que arde em minha mocidade
não tem repouso, não conhece nome.
Tudo acaba em calor — fulgor disperso,
energia em fuga, impulso que alucina.
Depois, o frio. E o cosmos, tão perverso,
adormecerá na noite cristalina.
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