quarta-feira, 7 de maio de 2025

Entropia

Tudo tende ao calor. É movimento

de átomos sem rumo, em turbilhão.

A vida dança ao léu, sem fundamento,

no caos febril da desagregação.


É a segunda lei: nada resiste.

Toda forma desfeita, o fim declara.

Na alma, um fogo estranho ainda persiste

— entropia que o tempo não encara.


O coração, motor de intensidade,

é vasto, é vácuo, é força que consome.

A chama que arde em minha mocidade

não tem repouso, não conhece nome.


Tudo acaba em calor — fulgor disperso,

energia em fuga, impulso que alucina.

Depois, o frio. E o cosmos, tão perverso,

adormecerá na noite cristalina.

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