Tão tênue quanto a luz que acorda sobre o rio,
desliza a flor da paz no campo do silêncio.
Não grita, não invade: é gesto calmo e imenso,
que abranda o coração, alenta o desafio.
É tato, é mansidão, é brisa contra o estio,
refaz o que desfez o mundo tão propenso
a erguer em gritos vãos seu falso ardor suspenso,
sem ver que há força em ser um sopro calmo e frio.
É arte de escutar o som da folha ao vento,
de ler nos olhos nus a dor não dita em prece,
de dar-se sem pesar, num gesto tão atento.
E quando tudo em volta é ferro que fenece,
ser delicado é ter, no amor, o fundamento—
que só o leve é vasto, e só o sutil floresce.
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