segunda-feira, 5 de maio de 2025

Delicadeza

Tão tênue quanto a luz que acorda sobre o rio,

desliza a flor da paz no campo do silêncio.

Não grita, não invade: é gesto calmo e imenso,

que abranda o coração, alenta o desafio.


É tato, é mansidão, é brisa contra o estio,

refaz o que desfez o mundo tão propenso

a erguer em gritos vãos seu falso ardor suspenso,

sem ver que há força em ser um sopro calmo e frio.


É arte de escutar o som da folha ao vento,

de ler nos olhos nus a dor não dita em prece,

de dar-se sem pesar, num gesto tão atento.


E quando tudo em volta é ferro que fenece,

ser delicado é ter, no amor, o fundamento—

que só o leve é vasto, e só o sutil floresce.

Nenhum comentário:

Postar um comentário