A história —
cavalo doido —
relincha no vale do sem-sentido.
Corre a esmo. Galope bruto.
Impõe-se no campo dos desvalidos.
Gerado por deuses entediados
num jogo de dados sem vencedor.
É rastro de ferro,
é peso que pisa,
é carga que leva o mundo à dor.
Não tenho o poder —
mas vejo seu rastro de fogo
cravado nas veias do tempo.
Ela me nega,
me esquece,
me conserva.
Me tenta.
Me sopra promessas
de redenção ou ruína.
E sei:
o dia virá em que alguém,
com punhos de sonho e aço,
tomará as rédeas desse animal febril —
e, cavalgando o caos,
será o espírito do tempo.
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