Com olhos largos fitas o passado,
ó anjo, preso ao vento que te arrasta.
A morte e o tempo, a sombra e a dor nefasta
erguem-se em torres sobre o chão rachado.
Quisesses tu sarar o que foi dado
ao fogo e ao ferro, à guerra mais devasta,
mas segue o passo a força que te afasta —
progresso cego, impiedoso e alado.
Teus pés não tocam solo redimido,
tua asa, aberta, não conhece o rumo;
só vês ruína em marcha e pó caído.
De costas vais, ao porvir sem prumo,
no vendaval da história consumido,
com olhos fixos no que resta ao mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário