segunda-feira, 12 de maio de 2025

Anjo da História

Com olhos largos fitas o passado,

ó anjo, preso ao vento que te arrasta.

A morte e o tempo, a sombra e a dor nefasta

erguem-se em torres sobre o chão rachado.


Quisesses tu sarar o que foi dado

ao fogo e ao ferro, à guerra mais devasta,

mas segue o passo a força que te afasta —

progresso cego, impiedoso e alado.


Teus pés não tocam solo redimido,

tua asa, aberta, não conhece o rumo;

só vês ruína em marcha e pó caído.


De costas vais, ao porvir sem prumo,

no vendaval da história consumido,

com olhos fixos no que resta ao mundo.

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