Partiste como a brisa ao fim do entardecer,
deixando o céu da alma em vasto desalinho.
Ficou-me a solidão, a hábito e dever:
lembrar de ti nas horas sem qualquer caminho.
Teu nome, quando dito, é brando de dizer,
mas corta-me a garganta em lâmina e espinho.
E a tua voz, remota, insiste em renascer
nos sonhos que me vêm à noite, de mansinho.
Bilhetes que escreveste — outrora, teu fulgor —
são hoje relíquias trêmulas do tempo.
Leio-as como um monge em cisma e fervor,
sorvendo o que sobrou de beijo ou contratempo.
Ah, se o destino, em jogo, ousasse ser menor,
deixar-me-ia ao menos o teu último alento.
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