domingo, 20 de abril de 2025

Saudade do Antigo Amor

Partiste como a brisa ao fim do entardecer,

deixando o céu da alma em vasto desalinho.

Ficou-me a solidão, a hábito e dever:

lembrar de ti nas horas sem qualquer caminho.


Teu nome, quando dito, é brando de dizer,

mas corta-me a garganta em lâmina e espinho.

E a tua voz, remota, insiste em renascer

nos sonhos que me vêm à noite, de mansinho.


Bilhetes que escreveste — outrora, teu fulgor —

são hoje relíquias trêmulas do tempo.

Leio-as como um monge em cisma e fervor,

sorvendo o que sobrou de beijo ou contratempo.


Ah, se o destino, em jogo, ousasse ser menor,

deixar-me-ia ao menos o teu último alento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário