As atrizes me atraem pela performance,
presença de palco, na pista ou calçada;
tocam meu corpo e derretem,
gozam em cena encarnada.
Fazem da cama o proscênio,
fazem de mim qualquer coisa;
beijam-me o corpo inteiro:
esse é o intuito da peça.
Esse é o intuito da peça, sua sorte,
para o grand finale destinado a elas:
encarnar uma petit mort
nos braços de quem se adora.
No gozo há algo divino,
como um vinho consagrado:
corpos dançam nesse destino
para um novo ciclo interminado.
É Dionysus que assina
cada ato, cada tese —
e a luxúria feminina
nesse palco é puro êxtase.
Transcendem a quarta parede, entre quatro paredes,
como selvagem, modesta, santa e profana;
são todas essas figuras, as atrizes,
a transubstanciar-se em cena.
As atrizes me atraem pela performance,
presença de palco, em igrejas e baladas;
promovem a perfeita catarse
que figura suas calcinhas molhadas.
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