Dizem que em meus olhos há luz e vertigem,
que a íris translúcida entrega a paixão,
pois brilham seus astros em fogo e fuligem,
em pulsão insaciável e melancólica tensão.
Talvez seja a cor, azul em tom celeste,
reflexo do abismo que em mim jaz,
ou talvez seja a sede, o sopro, o agreste,
o instinto que busca e não cessa jamais.
Se veem na pupila um ardor desmedido,
não é delírio que a dilata, nem ocasião,
mas janela d'alma, que reflete o seio
de um peito que opera em combustão.
Sou todo desejo, sou todo voragem,
meus olhos dilatam por sede de vida,
por ânsia de algo, por fome e vontade,
por tudo que há de sonho e utopia.
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