quarta-feira, 2 de abril de 2025

Pupilas Dilatadas

Dizem que em meus olhos há luz e vertigem,

que a íris translúcida entrega a paixão,

pois brilham seus astros em fogo e fuligem,

em pulsão insaciável e melancólica tensão.


Talvez seja a cor, azul em tom celeste,

reflexo do abismo que em mim jaz,

ou talvez seja a sede, o sopro, o agreste,

o instinto que busca e não cessa jamais.


Se veem na pupila um ardor desmedido,

não é delírio que a dilata, nem ocasião,

mas janela d'alma, que reflete o seio

de um peito que opera em combustão.


Sou todo desejo, sou todo voragem,

meus olhos dilatam por sede de vida,

por ânsia de algo, por fome e vontade,

por tudo que há de sonho e utopia.

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