segunda-feira, 31 de março de 2025

O Recôndito da Vida Cotidiana

No rastro tênue das manhãs nubladas,

O tempo escoa entre gestos banais,

Nos rostos mudos, sombras disfarçadas,

Segredos guardam seus tons desiguais.


O chá se entorna, o pão já se esfarela,

A rua ecoa o riso e a aflição,

Na mão que escreve e à tarde se flagela,

Há um vestígio oculto em cada ação.


O olhar perdido em vidros de vitrines,

Reflete o mundo e oculta a dimensão

Dos pensamentos vagos, clandestinos,

Que à noite assombram a imaginação.


No turvo fluxo dos dias inertes,

Há melodias de um tempo a ruir,

Que em gestos simples, calmos e discretos,

Sussurram vida a quem souber ouvir.

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