No rastro tênue das manhãs nubladas,
O tempo escoa entre gestos banais,
Nos rostos mudos, sombras disfarçadas,
Segredos guardam seus tons desiguais.
O chá se entorna, o pão já se esfarela,
A rua ecoa o riso e a aflição,
Na mão que escreve e à tarde se flagela,
Há um vestígio oculto em cada ação.
O olhar perdido em vidros de vitrines,
Reflete o mundo e oculta a dimensão
Dos pensamentos vagos, clandestinos,
Que à noite assombram a imaginação.
No turvo fluxo dos dias inertes,
Há melodias de um tempo a ruir,
Que em gestos simples, calmos e discretos,
Sussurram vida a quem souber ouvir.
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