quinta-feira, 3 de abril de 2025

Apesar de minha cara, minha cara

Apesar de minha cara de vampiro,

também pulsa o sangue em minhas veias mortas.

Também me perco em sombras, e suspiro,

como alma presa às tuas mãos absortas.


Também me assombro com amores defuntos,

com olhos teus que já brilharam nos meus.

Hoje são cinza, são ecos, são pontos

perdidos no escuro — esquecidos por Deus.


Se o rosto é pálido e o corpo sem chama,

no peito ainda arde o clamor do deserto.

Mas tudo em redor se dissolve na lama:

silêncio, saudade e o abismo por perto.


O tempo me leva, me apaga, me embaraça —

sou sombra que vaga sem cor nem destino.

Apesar de minha cara, minha cara...

me torno o fantasma do teu desatino.

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