Debaixo do céu cinzento e mutilado,
jaz Gaza, exangue, em brasa e desespero —
o berço antigo em sangue sepultado,
nas garras sujas de um império austero.
A bomba cai, não escolhe o inocente,
não poupa o riso, o leite, o pão, o canto.
Um corpo de criança, transparente,
vira poeira, misto de silêncio e pranto.
Os olhos fundos fitam ruínas mansas,
onde um lar foi, agora é sepultura.
Milhões de fantasmas — sonhos, esperanças —
jazem nas praças sob a noite escura.
Israel lança o fogo “cirúrgico”, preciso,
com tanques, drones, muros e cercados.
Mas que bisturi mira o peito indeciso
de um menino indefeso entre os destroçados.
Chama-se isso “guerra”? Não: massacre.
Genocídio à luz de um mundo ausente.
Mas o grito de um pai que no pó se empaca
ecoará no deserto eternamente.
E o Hamas, produto da opressão,
filho do medo, do muro e do castigo,
ergueu-se à sombra da ocupação,
criado por quem hoje o tem por inimigo.
Um monstro forjado no cárcere e na fome,
alimentado em décadas de desprezo —
cada bomba pariu um novo nome
no ciclo infindo de rancor aceso.
Mas não há pecado maior que o do forte,
quando com ferro julga e mata o fraco.
Não há Deus que tolere tal sorte:
crucificar a infância em cada ato.
Palestina, teu nome é resistência,
teu sangue clama, tua dor é chama.
Por cada ruína, brota uma sentença,
por cada bebê, ergue-se uma alma.
E quando o mundo acordar da indiferença,
verá que a paz não brota do abandono.
Que liberdade exige resistência
e que justiça não veste farda ou trono.
Netanyahu, tirano de um Estado racista,
sionista herdeiro de regimes de opressão,
teu nome arderá, marcado na lista
dos algozes que mancharam uma nação.
Libertem Gaza! Rompam o cerco e a grade!
Não em nosso nome, nem com nosso silêncio!
Clamem por vidas — não pela falsa verdade
de um exército que mata em nome do consenso.
Ergam-se os povos! Que cesse o jugo infame!
Que o chão se abra e engula o opressor!
Libertem Gaza, libertem cada nome
que dorme sob os escombros e o terror.
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