quarta-feira, 16 de abril de 2025

Flor do Lácio

Flor do Lácio, que ao verbo deu corpo e sentido,

Tu és chama que arde em silêncio e paixão.

Na lavoura da fala és o trigo moído,

És do povo a canção, és do rei o sermão.


Tens o tom do trovão e o soprar do latim,

Eco antigo que pulsa em nova harmonia.

Fala errante que corre sem rumo e sem fim,

Mas que guarda o vigor da mais doce elegia.


Voz do exílio, da pátria, da prece e do amor,

És espada, punhal, és abrigo e calor.

De Camões herdeira, és maré sem destino.


No teu seio ressoa um império de sons,

Cada sílaba tua é um poema de dons:

Flor que em lodo floresce e perfuma o caminho.

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