Flor do Lácio, que ao verbo deu corpo e sentido,
Tu és chama que arde em silêncio e paixão.
Na lavoura da fala és o trigo moído,
És do povo a canção, és do rei o sermão.
Tens o tom do trovão e o soprar do latim,
Eco antigo que pulsa em nova harmonia.
Fala errante que corre sem rumo e sem fim,
Mas que guarda o vigor da mais doce elegia.
Voz do exílio, da pátria, da prece e do amor,
És espada, punhal, és abrigo e calor.
De Camões herdeira, és maré sem destino.
No teu seio ressoa um império de sons,
Cada sílaba tua é um poema de dons:
Flor que em lodo floresce e perfuma o caminho.
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