Sob o chão recai o teu vestido,
e teu olhar entrega o teu intento.
Se te ignoro, perco o paraíso;
se obedeço a ele, me condeno.
Então penso em minha vã filosofia,
enquanto já a tenho nua em minhas mãos,
e o pensamento já não mais me auxilia,
pois, no teu corpo, me desvisto da razão.
Em teu cheiro encontro o meu destino,
em tua pele, o fogo do desejo.
E então adentro logo o teu mais íntimo,
no anseio de que, enquanto dure, seja infindo.
E do soar de tua voz, em teus gemidos,
que impõem o compasso dos atos,
no ideal de dois seres refletidos,
no espelho, em fulgor, embriagados.
Ao elevar-se em graça tão plena,
os amantes, de substância tão una,
se encaixam e, um no outro, se encarnam,
tendo as almas ao alcance da pele nua.
E quando, em fogo, arqueias meu peito,
no espasmo que te faz temer a morte,
teu ventre se derrama em gozo perfeito,
e em êxtase me prendes a tua sorte.
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