segunda-feira, 7 de abril de 2025

A Valsa

Sob o chão recai o teu vestido,

e teu olhar entrega o teu intento.

Se te ignoro, perco o paraíso;

se obedeço a ele, me condeno.


Então penso em minha vã filosofia,

enquanto já a tenho nua em minhas mãos,

e o pensamento já não mais me auxilia,

pois, no teu corpo, me desvisto da razão.


Em teu cheiro encontro o meu destino,

em tua pele, o fogo do desejo.

E então adentro logo o teu mais íntimo,

no anseio de que, enquanto dure, seja infindo.


E do soar de tua voz, em teus gemidos,

que impõem o compasso dos atos,

no ideal de dois seres refletidos,

no espelho, em fulgor, embriagados.


Ao elevar-se em graça tão plena,

os amantes, de substância tão una,

se encaixam e, um no outro, se encarnam,

tendo as almas ao alcance da pele nua.


E quando, em fogo, arqueias meu peito,

no espasmo que te faz temer a morte,

teu ventre se derrama em gozo perfeito,

e em êxtase me prendes a tua sorte.

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