terça-feira, 25 de março de 2025

Tragédias Acontecem Em Dias Normais

No berço brando de um jardim sereno,

desabrochava um botão em luz.

Era tão jovem, tão doce e pequeno,

mal despertara e a vida o conduz.


O vento em riso lhe afaga os cabelos,

o sol em ouro lhe beija a cor.

A terra embala seus sonhos tão belos,

como quem canta um hino de amor.


Mas eis que um passo, um gesto ao acaso,

um vendaval sem porquê, sem razão,

apaga a chama, interrompe o laço,

silencia um riso, suspende a canção.


E o mundo segue assim, indiferente,

sem ver a ausência que ali ficou.

Mas sob a terra, num sono silente,

jaz um futuro que não se realizou.


No ar ressoa um riso distante,

eco de dias que não virão.

Na casa, um triste semblante,

vazio e frio como o chão.


Os pais se assombram ao ver na janela

um raio tímido a lhe sorrir,

como se a luz viesse em cautela

sua saudade de longe ouvir.


O tempo passa, e ainda assim,

o vento insiste em sussurrar

o nome doce que um dia, enfim,

ninguém mais há de recordar.


O tempo avança, mas nada apaga

a flor que o vento veio arrancar.

Pois na memória, em dor e em lágrima,

ainda bela insiste em desabrochar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário