No berço brando de um jardim sereno,
desabrochava um botão em luz.
Era tão jovem, tão doce e pequeno,
mal despertara e a vida o conduz.
O vento em riso lhe afaga os cabelos,
o sol em ouro lhe beija a cor.
A terra embala seus sonhos tão belos,
como quem canta um hino de amor.
Mas eis que um passo, um gesto ao acaso,
um vendaval sem porquê, sem razão,
apaga a chama, interrompe o laço,
silencia um riso, suspende a canção.
E o mundo segue assim, indiferente,
sem ver a ausência que ali ficou.
Mas sob a terra, num sono silente,
jaz um futuro que não se realizou.
No ar ressoa um riso distante,
eco de dias que não virão.
Na casa, um triste semblante,
vazio e frio como o chão.
Os pais se assombram ao ver na janela
um raio tímido a lhe sorrir,
como se a luz viesse em cautela
sua saudade de longe ouvir.
O tempo passa, e ainda assim,
o vento insiste em sussurrar
o nome doce que um dia, enfim,
ninguém mais há de recordar.
O tempo avança, mas nada apaga
a flor que o vento veio arrancar.
Pois na memória, em dor e em lágrima,
ainda bela insiste em desabrochar.
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