Nada desaparece de súbito,
não nasce sem mãe nem o diabo.
Quem dirá no mundo o fascismo,
contra o qual se exige sisífico trabalho?
No entanto, há no mundo um cinismo
que flerta todo dia com o fatal,
escancarando imenso egoísmo,
produzido e destinado ao capital.
Portanto, tudo segue uma estrutura,
que é profunda e mal observada;
por ela é moldada toda vida,
e contra ela, toda luta censurada.
Mas à toa aguardamos um cataclisma,
de viés, sem outro novo horizonte;
apesar de que muito se especula,
o real se apresenta indiferente.
De súbito, nada se cria nem se perde,
mas, na natureza, tudo se transforma.
E não importa o quanto se ignore:
o juízo final se impõe no agora.
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