terça-feira, 11 de março de 2025

Os Rigores da Paixão

Quem nunca amou sem medo e sem medida,

lançando ao vento o timbre da razão,

não sabe o gosto ardente desta vida,

nem viu dos céus ruir a proteção.


Que valem muros, âncoras, receios,

se o fogo pede entrega e perdição?

Se a sorte espreita, a rir, por entre anseios,

cega e cruel, mas cheia de emoção?


Queime-se a pele, rompa-se a esperança,

desfeita em cinza a doce ilusão,

pois vale mais a febre e a lembrança


do que uma paz sem risco ou exaltação.

E mesmo em dor, em sombra ou solidão,

resta o fulgor dos rigores da paixão.

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