Quem nunca amou sem medo e sem medida,
lançando ao vento o timbre da razão,
não sabe o gosto ardente desta vida,
nem viu dos céus ruir a proteção.
Que valem muros, âncoras, receios,
se o fogo pede entrega e perdição?
Se a sorte espreita, a rir, por entre anseios,
cega e cruel, mas cheia de emoção?
Queime-se a pele, rompa-se a esperança,
desfeita em cinza a doce ilusão,
pois vale mais a febre e a lembrança
do que uma paz sem risco ou exaltação.
E mesmo em dor, em sombra ou solidão,
resta o fulgor dos rigores da paixão.
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