A ti, que bebeste o absinto da treva,
e viste no lodo um jardim de esplendor,
trago estas flores colhidas na névoa,
banhadas em tédio, regadas em dor.
Teu verbo é um cântico lúgubre e denso,
um fumo que enlaça os que ousam sonhar,
um vento de luto, fatal e imenso,
que impele os errantes ao fundo do mar.
No altar das sombras, queimaste incenso,
brindaste ao abismo com taças de fel,
e ainda nos versos, eternos, intensos,
teu riso ecoa, sarcástico e cruel.
Por isso, ó Mestre, com púrpura e espinho,
deponho estas flores no teu caminho.
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