terça-feira, 11 de março de 2025

Flores a Baudelaire

A ti, que bebeste o absinto da treva,

e viste no lodo um jardim de esplendor,

trago estas flores colhidas na névoa,

banhadas em tédio, regadas em dor.


Teu verbo é um cântico lúgubre e denso,

um fumo que enlaça os que ousam sonhar,

um vento de luto, fatal e imenso,

que impele os errantes ao fundo do mar.


No altar das sombras, queimaste incenso,

brindaste ao abismo com taças de fel,

e ainda nos versos, eternos, intensos,


teu riso ecoa, sarcástico e cruel.

Por isso, ó Mestre, com púrpura e espinho,

deponho estas flores no teu caminho.

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