terça-feira, 11 de março de 2025

Nu com meu violão

Sozinho, eu canto pra lua cheia

Alheia, tu foste e eu fiquei sem rumo

Resumo, te vejo em qualquer esquina

Me nina, me nina

E sigo de peito aberto


Coberto de um lamento insone

Meu nome, esqueces na tua ausência

Demência, comprei uma pinga amarga

Me embarga, me embarga

A voz que te pede volta


E solta no vento a melodia

Seria consolo se fosse tua

Nua, minh’alma se faz morada

Trancada, trancada

No tom que me dói no peito


Perfeito seria se tu soubesses

Me desse um canto da tua boca

E louca, tu voltas sem mais aviso

Sorriso, sorriso

E o tempo me desengana


Me engana, me deixa, mas me nina

Menina, eu sigo com meu violão

Canção, sou nu e sou só promessa

Confessa, confessa

Que um dia de novo me beija.


Pois embalo meu peito na espera

Quimera, danças no meu pensamento

Lamento, mas sigo de verso em verso

Reverso, reverso,

E o tempo me vira as costas


As notas que toco te chamam mansa

Descansa, um dia me volto ao nada

Cantada, fizeste de mim brinquedo

Segredo, segredo,

Que a lua me conta ao longe


E foge meu sono, vigília amarga

Me embarga, a taça vazia e muda

Saúda meu pranto a madrugada

Dobrada, dobrada,

A dor me faz companhia


Vazia, na noite, balança a brisa

Precisa de ti, mas não me escutas

Me multas, se peço tua presença

Sentença, sentença,

No peito essa dor me pesa


A reza que faço ninguém responde

Aonde se esconde teu riso breve?

Me embebe, saudade no vinho forte

A sorte, a sorte

Que um dia te traga ao canto


No entanto, me enrosco em melodia

Tão fria, guitarra que geme rouca

E pouca me resta senão canção

Paixão, paixão,

Queria poder cantar


Te amar é delírio e não cansa

É dança, se faz um tango bêbado

Efêmero, é sombra, é ilusão

Canção, canção,

Meu pensamento se embala.


Desencana, me deixa, mas me nina

Menina, eu sigo com meu violão

Canção, sou eu e sou só promessa

Confessa, confessa

Que um dia de novo me beija.



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