sexta-feira, 7 de março de 2025

Deus e o Diabo na Terra do Futebol

No grande estádio, o céu se fez fronteira,

divino jogo em tarde derradeira.

Com farda alva e olhar onipotente,

Deus apitou com pulso efervescente.


No outro lado, em listras carmesins,

Diabo armava os lances dos serafins.

Torcida em transe, hino e oração,

milagre ou desventura, tudo é invenção.


"Avante, irmãos!" – brada o pastor, vidrado.

"Aqui, não há empate no sagrado!"

"Fiéis, jamais!" – relincha o outro lado,

"Melhor cair de pé que ser domado!"


O povo grita, urrando em desatino,

deixando a vida ao pé do seu destino.

Quem crê na cruz e quem levanta o tridente

se abraçam, bêbados de um deus ausente.


No placar, cifras – não há mais surpresas,

vendem-se almas, vendem-se camisas.

Mas pouco importa a cor da idolatria,

se o mundo é um circo e a fé, bilheteria.

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