No ermo azul do peito abandonado,
sertão d’alma em febre e solidão,
ecoam vozes num tropel calado,
murmúrios densos de qualquer visão.
Se um rio há, é sombra em brasa fria,
corrente muda em leito sem razão,
não há nascente, apenas maresia,
de um mar sem cais, sem tempo e direção.
Mas sob a pele, a terra reverbera,
fagulha antiga, em fogo subterrâneo,
memória feita em lâmina e quimera,
raiz e vento, abismo do âmago.
E cada passo é rastro que me inventa,
luz e barro, ausência e plenitude,
sou tudo e nada, em guerra violenta,
sou um e mil na mesma inquietude.
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