sexta-feira, 7 de março de 2025

Amálgama

No ermo azul do peito abandonado,

sertão d’alma em febre e solidão,

ecoam vozes num tropel calado,

murmúrios densos de qualquer visão.


Se um rio há, é sombra em brasa fria,

corrente muda em leito sem razão,

não há nascente, apenas maresia,

de um mar sem cais, sem tempo e direção.


Mas sob a pele, a terra reverbera,

fagulha antiga, em fogo subterrâneo,

memória feita em lâmina e quimera,

raiz e vento, abismo do âmago.


E cada passo é rastro que me inventa,

luz e barro, ausência e plenitude,

sou tudo e nada, em guerra violenta,

sou um e mil na mesma inquietude.

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