A noite arrasta a sombra dos meus passos,
E o vento diz teu nome sem querer.
Vagando entre memórias e cansaços,
Eu busco o que já foi sem mais ser.
Os dias passam mudos, tão ausentes,
E em tudo há teu rastro e teu adeus.
No espelho, entre os traços recorrentes,
Ainda tenho a boca marcada por um beijo teu.
E o tempo, esse ladrão de eternidades,
Não apaga a febril recordação,
Nem leva embora as luzes da saudade.
Se volto a reparar a lua em solidão,
Teu cheiro mora ali, na claridade,
E dorme sobre o peito da ilusão.
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